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Minha vida de bermudas



Novo endereço

Pessoal, oi! Estamos de endereço novo: minha-vida-de-bermudas-2.webnode.com.

Espero vcs lá! Bjs



Escrito por Queipa às 12h26
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Voltei de vez

Oi, pessoal! Ocupada com mil e uma outras coisas, abandonei meu blog. Coitadinho... Peço perdão a ele e a vocês! E prometo me emendar, atualizando-o pelo menos uma vez por semana, daqui pra frente. Pretendo falar de tudo: o que está rolando aqui em Munique, na vida e nas artes, moda, beleza, cinema e - claro! - literatura, sem esquecer meu objetivo principal aqui: as viagens. Continuo viajando muito e não conto nada há um ano, cruzes! Vamos falar de tudo um pouco, até do tempo, que acho um tema engraçado: no Brasil, não é tão importante, exceto talvez no sul, onde varia mais, mas aqui é fundamental! Enfim, estamos de volta! E vou começar contando que mudei de apartamento e agora moro de frente para um parque lindo, que tem até um maravilhoso lago, com direito a praia (de pedrinhas, claro) e árvores em toda a volta. Nos dias quentes do verão, era pra lá que eu ia me refrescar, sempre com um livro debaixo do braço.



Escrito por Queipa às 04h04
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Copenhagen

 

Passamos nove maravilhosos dias em Copenhagen. Que cidade linda!!! E que povo simpático! Foi uma delícia seguir os passos de Andersen, que parece morar em cada esquina. A estátua oficial da pequena sereia está em todas, se repetindo sobretudo nas lojas de souvenirs. Claro que trouxe a minha, pra coleção!

 



Escrito por Queipa às 04h34
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Copenhagen - parte 1

 

Ela é uma fofura... Em tamanho natural, mostra uma garota miudinha, com corpo de menina, no meio da transformação, quer dizer, sentada na pedra sobre um emocionante misto de pernas e barbatanas... Eu a imaginava maior, Thomas também. Existem outras versões da personagem que a mostram mais mulher, mais encorpada, com seios grandes, que o Thomas adorou.

Eu já a imaginava mais sereia e menos gente. Engraçado isso: a gente vê a mesma estátua milhões de vezes e fica fantasiando em cima dela!

Acho que o local onde ela está também a torna menor, pois ele é muito amplo. Ela fica tão pequena, sentadinha em cima da pedra, no meio da água, mas muito próximo à praia (de pedras), que não é possível imaginar sua dimensão exata a partir das fotografias.

 



Escrito por Queipa às 04h33
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Copenhagen - Parte 2

Fiquei refletindo sobre a imortalidade, tema que me é tão caro e se reflete na minha obra, e cheguei à conclusão de que ser imortal não é vencer a morte conservando o corpo físico – e virar um velho ou velha decrépito, ou ter de se manter jovem à custa do sangue alheio, por exemplo. Não. É ser eternizado dentro do tempo. É poder ser encontrado em cada esquina. É estar presente na vida das pessoas e influenciar o pensamento delas, dialogar com elas, continuar vivendo no meio delas. Como Andersen.

Mas nem só de fairy tales vive a cidade! Há muita coisa bonita pra se ver! E eu passeei bastante! É uma delícia ficar margeando a água, andando sem rumo, do tipo “vou aonde minhas pernas me levam”. Quando elas me levaram à “Vor Frelsers Kirke” foi fantástico!

 



Escrito por Queipa às 04h32
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Copenhagen - Final

Em português, o nome é Igreja do Nosso Salvador. Construída em estilo barroco neerlandês, ela é célebre pela sua flecha negra em espiral e suas escadas do lado de fora, que dão quatro voltas em torno do próprio eixo, protegidas por barras de ferro em preto e dourado, que podem ser vistas de longe.  Isso quer dizer que a gente chega na parte de cima, de onde tem uma vista fantástica, mas termina de subir literalmente do lado de fora, enquanto a escada vai ficando cada vez mais estreita, até chegar ao globo de ouro do topo. Um aviso: tem de ter coragem pra chegar lá! Eu tive e foi uma sensação incrível! Morri de medo, mas adorei.

Claro que a primeira visita é ao cartão postal, a Nyhaun, com suas casinhas coloridas coladas umas às outras, o canal no meio, barcos ancorados... Absolutamente adorável! Depois vamos explorar o restante, mas o primeiro momento, pra se sentir em Copenhagen, é lá que a gente tem de ir.

As cidades que tiveram reis e rainhas – e parece que, quanto mais megalomaníacos, melhor ! – continuam exibindo a sua majestade através dos tempos. Sinto algo muito especial nelas. Percebo como foram sendo embelezadas ao longo dos séculos, cada rei acrescentando algo ao anterior (que, na maior parte das vezes, era seu pai ou mãe, o que já garantia uma boa ideia de sucessão!).

A coisa que mais sinto falta no Brasil é a falta de continuidade: cada governante parece querer destruir o que o anterior fez. Mudam os nomes dos projetos culturais para fingir que são novos, mas acabam, muitas vezes, é simplesmente destruindo o que eles tinham de bom e investindo apenas nas (enganosas) aparências... Constroem viadutos e elevados provisórios (e agora, estádios de futebol) como quem faz castelos e igrejas para durar para sempre.

Triste sina, a nossa, ter de pagar por coisas que nossos netos jamais verão!

Minha rotina em Copenhagen foi: trabalhar no computador pela manhã, passear à tarde sozinha e acompanhar o Thomas à noite, dando uma volta pela cidade e comendo peixes deliciosos em restaurantes agradáveis.

Bom demais!

Infelizmente, acabei pegando um belo resfriado, aquele típico de cidades marítimas na meia estação: a gente vai andando, o corpo fica molhado, vem o ventinho gelado e faz o serviço! Ainda não sarei, mas já estou melhor e agora é hora de trabalhar de verdade, full time, pra cumprir os compromissos! Mas não tem importância. Daqui a pouco eu saro!

 



Escrito por Queipa às 04h29
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Povo, oi!

(Adoro falar assim, que é copiado da minha querida amiga Rosana Rios... Me sinto a própria rainha se dirigindo aos súditos!)

Faz tempo que não tenho tempo de postar nada, enrolada que vivo entre as viagens e os textos com data pra entregar. Mas agora resolvi abrir um espaço na agenda pra contar sobre Copenhagen. Hoje mesmo vocês poderão saber um pouco do que aconteceu nos dias maravilhosos que curti naquela bela cidade e ver algumas fotos lindas que fiz.

Agradeçam ao resfriado horroroso que peguei por lá, pois é ele quem está me mantendo meio de férias, hoje... Aguardem! Rs e bjs.



Escrito por Queipa às 01h34
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Viagem à Escócia

A viagem foi maravilhosa – isso todo mundo já sabe. Na verdade, elas sempre são... Viajar é uma coisa deliciosa. Sei é um privilégio, por isso, curto mais ainda, para agradecer esta maravilhosa oportunidade que a vida me oferece de viver sempre com o pé na estrada. A Escócia, porém, ainda me deu mais: ela me proporcionou um fantástico resgate da minha família.

Confesso a vocês que não sabia da importância que o Clã Drummond tem por lá. Achei que fosse uma coisa mais de antigamente, sabem como? Não estava preparada para o encantamento das pessoas comuns – os vendedores das lojas, os outros hóspedes dos hotéis onde eu estava, para citar apenas alguns – quando eu contava a minha origem local e falava o meu sobrenome - com o sotaque típico do lugar, é claro: forte, com a sílaba tônica no Dru (que se pronuncia Drã) e com o “r” do inglês, além do “d” final (e não desse jeito que falamos no Brasil, afrancesado).

O título dos Drummond é “Earl of Perth” e o clã tem até hoje um belo castelo de pedra em Crieff, próximo de Perth (habitado pela última personagem em linhagem direta, uma senhora de 78 anos, por isso, ele não é aberto à visitação pública), mas podemos vê-lo por fora e passear nos seus belos jardins, um dos mais famosos do país; tem floresta na volta, hotéis, ruas e avenidas com o seu nome pelo país inteiro (e também na Inglaterra e nos USA, isso eu já tinha conhecido antes) e tudo que um clã tem: brasão, armas, cores, árvore genealógica que inclui reis e rainhas, sem faltar os assassinatos, fantasmas etc, além de, claro, um “tartan”, que são as cores do kilt e identificam a família.

Isso está expresso em todos os adoráveis objetos que se pode comprar nas lojas de lembranças para turistas: botom, ímã de geladeira, abridor de garrafa, postais e vai por aí afora... Além de muitos livros que contam a história de tudo isso (comprei alguns) e várias referências nos museus, todas cuidadosamente fotografas por mim (mesmo quando não era permitido).

Há vários ramos da família e o meu é chamado de “Drummond of Brazil”.

Alugamos um carro e eu me encantei com a perícia do Thomas, meu marido, que dirigiu superbem!

Pessoalmente, não tive coragem de dirigir pela direita nem em linha reta... Muito antes pelo contrário, quase morri de tanto medo. Assim que saímos do estacionamento, havia uma curva e veio um ônibus de dois andares no que me pareceu em cima de nós. Além de gritar, escondi o rosto nos braços e me encolhi toda, apavorada com aquilo que, para mim, já era um acidente!

Ficamos 3 dias em Edimburgo, uma cidade encantadora, e só então pegamos o carro. Evitamos as cidades grandes, claro, e nas médias estacionávamos na entrada da cidade e fazíamos o passeio a pé (como todo mundo, aliás).

Fomos a Stirling, que tem um castelo maravilhoso; em seguida visitamos Oban, encantadora cidade à beira mar, e fizemos até um passeio de barco; de lá, fomos a Fort Williams e seguimos em direção a Inverness, antiga capital das Highlands, passando antes pelo Lorch Ness. Da Nessie, nem sinal! Só deu para trazer umas lembrancinhas, porque ela, como sempre, não apareceu. Voltamos pela estrada que leva a Perth, onde ficamos um dia, retornando a Edimburgo para pegar o avião.

Visitamos mais de 10 castelos e lagos, cada um mais lindo do que o outro.

A comida não nos agradou especialmente; a bebida é pra lá de conhecida, mas até eu, visitando algumas destilarias, quebrei meu jejum de anos e tomei uns goles de uísque! Em compensação o povo é um amor, alegre, simpático, divertido. Até parecia que estávamos no Brasil: em cinco minutos de papo já nos tornávamos amigos de infância! Isso é algo extraordinário, porque contradiz a teoria de que o comportamento de um povo está ligado ao clima do lugar onde ele mora.

Explico: a Escócia é sombria, perfeita para histórias de fantasmas. A maioria das construções é de pedra, o céu é muito mais cinzento do que azul e chove, chove, chove e abre sol simplesmente o dia inteiro. O mais engraçado é que ninguém liga: as pessoas esperam que a chuva passe e continuam seu caminho. No máximo, levantam o capuz do casaco. Logo aprendemos a técnica e paramos de ligar também.

É tudo muito limpo e arrumado, enfim, foi maravilhoso!

Aí vão algumas fotos para a curtição de vocês.

Beijos



Escrito por Queipa às 15h21
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Viagem à Escócia

Edimburgo - uma rua qualquerThomas no castelo de EdimburgoNo castelo de Edimburgo, a rainha Annabella Drummond, minha famosa avóO castelo de StirlingTreinamentoNo nosso hotel, Lord Thomas faz pose Em Oban, à esquerda do nosso hotelEm Oban, à direita do nosso hotelO único cardo, flor típica da Escócia, que eu viLoch NessA frente do nosso hotel, em DundarachRuínas do castelo UrquhartMais uma das ruínas de Urquhart, especialmente para minha amiga Rosana RiosNo castelo Lochleven, nossa única foto juntosO pessoal de Perth, indo a um casamento



Escrito por Queipa às 15h16
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Voltei pro meu blog antigo, pessoal! Não gostei de ter tudo junto, homepage, fotos, blog etc. E começo colocando um texto muito lindo, escrito pelo meu amigo Fernando Sorrentino, que é argentino. Eu traduzi pra vocês.

A lagoa de Cubelli  10/03/2012

A lagoa de Cubelli
Fernando Sorrentino

É a sudoeste da planície de Buenos Aires que se situa a lagoa de Cubelli, familiarmente conhecida como “Laguna do Jacaré Bailarino”. Este nome popular é expressivo e interessante, mas – assim como o dr. Ludwig Boitus demonstrou – não corresponde à realidade.
Em primeiro lugar, “lagoa” e “laguna” são acidentes geográficos distintos. Em segundo, se bem que o jacaré caimã – Caiman yacare (Daudin), da família Alligatoridae – seja próprio da América, acontece que essa lagoa não é, efetivamente, o habitat de nenhuma espécie de jacaré.
Suas águas são extremamente salobras, e tanto sua fauna quanto a flora são típicas daquelas que se desenvolvem no mar, razão pela qual não se pode considerar anormal o fato de que essa lagoa conte com uma população de cerca de 130 crocodilos marinhos.
O “crocodilo marinho” ou Crododilus porosus (Schneider) é o maior de todos os répteis vivos. Pode chegar a 7 metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada. O dr. Boitus afirma ter visto, nas costas da Malásia, vários exemplares que superavam os 9 metros e, com efeito, ele tirou fotografias e trouxe-as com o objetivo de provar a existência de animais desta magnitude. Como eles foram, no entanto, fotografados em águas marinhas e sem pontos externos de referência, tornou-se impossível determinar com precisão se os crocodilos em questão tinham realmente a dimensão que lhes atribui o dr. Boitus. Seria um absurdo, naturalmente, duvidar da palavra de um pesquisador tão criterioso e com tão brilhante trajetória (apesar da linguagem um pouco barroca), mas o rigor científico exige a validação dos fatos segundo métodos inflexíveis, que, nesse caso específico, não foram colocados em prática.
Assim, acontece que os crocodilos da lagoa Cubelli possuem exatamente todas as características tanonômicas dos que vivem nas águas perto da Índia, da China e da Malásia, razão pela qual, com toda a legitimidade, lhes caberia o taxativo nome de crocodilos marinhos ou Crocodili porosi. Eles apresentam, entretanto, algumas diferenças, que o dr. Boitus dividiu em características morfológicas e características etológicas.
Entre as primeiras, a mais importante (ou, melhor dizendo, a única) é o tamanho. Assim como o crocodilo marinho da Ásia alcança os 7 metros de comprimento, a espécie que encontramos na lagoa de Cubelli apenas atinge, no melhor dos casos, os 2 metros, medindo-se do começo da bocarra até a ponta do rabo.
Com respeito a sua etologia, este tipo de crocodilo, segundo Boitus, “tem uma queda pelos movimentos musicalmente harmônicos” (ou, mais simplesmente, é um “bailarino”, como é chamado pela gente do povoado de Cubelli). É sabido que os crocodilos, quando estão em terra, são tão inofensivos quanto um bando de pombas. Eles só podem caçar e matar dentro da água, que é o seu elemento vital. Apertando a presa entre as mandíbulas cheias de dentes e imprimindo a si mesmos um rápido movimento de rotação, fazem com que essa gire até a morte. Seus dentes não têm uma função mastigatória, são desenhados unicamente para aprisionar a vítima, que engolem inteira.
Se formos até as margens da lagoa Cuvelli e colocarmos em funcionamento um aparelho que toque música, de preferência a escolha recaindo sobre temas dançantes, adequados a um baile, em seguida veremos que – não digamos todos – quase todos os crocodilos sairão da água e, uma vez em terra, começarão a dançar ao compasso da melodia em questão.
Por essas razões anatômicas e comportamentais, esse sáurio recebeu o nome de Crocodilus pusillus saltador (Boitus).
Seus gostos são amplos e ecléticos, e não parecem distinguir entre músicas esteticamente valiosas e outras de méritos escassos. Recebem com igual alegria e boa disposição tanto as composições sinfônicas para balé quanto os ritmos vulgares.
Os crocodilos dançam de pé, apoiando-se apenas nas patas traseiras, de maneira que, verticalmente, atingem uma estatura média de um 1,70 centímetros. Para não arrastar o rabo pelo chão, eles o elevam a um ângulo reto, colocando-o quase paralelo ao corpo. Enquanto isso, as extremidades dianteiras (que bem poderíamos chamar de mãos) seguem o compasso com toda uma série de gestos simpáticos, e seus dentes amarelados mostram um enorme sorriso de otimismo e satisfação.
A algumas pessoas do povoado não atrai absolutamente a ideia de dançar com os crocodilos, mas muitas outras não compartilham dessa rejeição e o certo é que, todos os sábados, ao entardecer, essas últimas se vestem com suas melhores roupas e vão para as margens da lagoa. Nelas, o clube social e esportivo de Cubelli instalou tudo que é necessário para tornar inesquecíveis as reuniões. Os visitantes podem, por exemplo, jantar em um restaurante que se localiza a poucos metros da pista de dança.
Os braços de um crocodilo são curtos e não alcançam o corpo do parceiro ou parceira. Os cavalheiros e as damas que dançam, segundo o caso, com o crocodilo fêmea ou macho que o(a) escolheu, apoia cada uma de suas mãos em um dos ombros do(a) outro(a). Para realizar essa operação, convém esticar os braços ao máximo, mas, ao mesmo tempo, manter uma certa distância. Como os crocodilos têm um focinho muito pronunciado, a pessoa que dança com eles deve ter a precaução de jogar o corpo para trás, mantendo-se o mais longe possível (se bem que pouco se tem notícia de episódios desagradáveis, tais como extirpação de nariz, esmagamento de globo ocular ou decapitação). E também não se deve esquecer de que, como entre os seus dentes podem ser encontrados restos de cadáveres, seu hálito deixa muito a desejar.
Entre os cubelianos corre uma lenda que diz que na pequena ilha situada no meio da lagoa moram o rei e a rainha dos crocodilos, de onde, segundo parece, eles jamais saíram. Comenta-se que esses exemplares já ultrapassaram os 2 séculos de vida e, talvez por causa da idade avançada, ou mesmo por mero capricho, jamais desejaram participar dos bailes promovidos pelo clube.
As reuniões não costumam passar da meia noite, porque, nessa hora, os crocodilos começam a ficar cansados e talvez mesmo a se aborrecer. Além do mais, é a hora da fome e, posto que o acesso ao restaurante lhes é vedado, devem voltar para a água em busca de comida.
Quando chega o momento em que não resta mais nenhum crocodilo em terra firme, as damas e cavalheiros retornam ao vilarejo bastante cansados, e um pouco tristes, mas com a esperança de que, talvez no próximo baile, ou em outro dia qualquer, o rei ou a rainha dos crocodilos, ou talvez mesmo ambos, abandonem por algumas horas a ilhota central e participem da festa. É com essa expectativa que cada cavalheiro, ainda que não o demonstre, guarda a ilusão de que será escolhido como parceiro de dança da rainha dos crocodilos. O mesmo acontece com as damas, que sonham ser o par do rei.

Tradução: Regina Drummond


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Viagem a Portugal  28/02/2011

 Uma praia em EstorilA viagem a Lisboa e Porto foi ótima. Saímos de uma Munique triste e cinzenta para ser recebidos com um calorzinho sem vergonha e chuva em Lisboa, mas foi só na chegada. Logo, a cidade nos abriu o maior sorriso e se manteve deliciosamente ensolarada durante toda a semana, apesar do ventinho gelado que soprava.
Visitamos Lisboa - Estoril, Cascais, Sintra, Cabo da Roca e outros lugares ali perto - e Porto. Não era a primeira vez, mas já faz tanto tempo que eu não ia a Portugal, que pude me surpreender de novo. E, mais uma vez, constatei como é parecido com o Brasil. Mas o mais interessante é que temos não apenas o mesmo estilo - o que seria fácil de entender - mas a geografia colaborou para tornar tudo ainda mais parecido e fazer com que nos sintamos em casa: as mesmas ruas, as ladeiras, as praias, o mar; o estilo barroco, o rococó, os sobrados com os mesmos balcões, coladinhos uns nos outros, a frente fininha, lá dentro comprido, ou os casarões enormes e majestosos cheios de janelas com pequenas sacadas, e as igrejas, tantas igrejas, cada uma mais linda do que a outra.
Ficamos na casa dos amigos Bettina e Harald, que são alemães e moram oficialmente na França, embora ele esteja em Lisboa a trabalho.
Os dois são muito fofos e já viraram personagem do meu livro “Rumo à Alemanha”, da Ed. Salesiana, junto com seus filhos Pablo, Sandro e Claudio.
Aí vão as fotos pra vcs curtirem.
Bjs


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Escrito por Queipa às 15h30
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Mudança de endereço

Agora vocês encontram este blog junto com a minha obra e outros assuntos na minha homepage: www.regina-drummond.de Espero vocês lá. Beijos!



Escrito por Queipa às 11h10
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Feira de Frankfurt

Oi, Pessoal!

Voltei ontem à noite de Frankfurt, onde estive por dois minúsculos dias tão apertados e acelerados quanto maravilhosos.

Sei que sou suspeita, pois repito sempre a mesma coisa, a cada ano... Mas fazer o que, se é mesmo verdade?

Um pouco é pelo meu encantamento por “estar lá”, visitando a maior feira de livros do mundo. Mas também porque me sinto no meu ambiente, uma peixinha minúscula  no meio do mar, rodeada por milhões de outros peixes enormes e brilhantes, mas tão feliz em sua insignificância... Entre eles estão tantos amigos e amigas, editores, principalmente, que eu me sinto confiante. Conversar com esse pessoal é mais do que um ato social, é um aprendizado. Mas ainda tem mais: é com orgulho que constato que o Brasil vem marcando sua presença no evento cada vez com mais força - e este ano foi arrasador!

O estande estava muito bonito, tanto na decoração, em madeira clara e azul, quanto na funcionalidade e praticidade. Adorei especialmente os pontos de reunião: do outro lado do corredor, um espaço mais estreito, porém acompanhando o comprimento do estande principal, foram criados pequenos nichos com confortáveis e belas poltronas brancas e uma mesinha no centro, onde a gente podia se sentar para descansar ou para conversar, tratando dos negócios de uma maneira mais informal.

Ali foi colocado também um pequeno auditório, onde o querido amigo Galeno Amorim enfeitiçou a plateia com a apresentação do projeto de tradução de obras brasileiras que a Biblioteca Nacional, da qual é o presidente, está oferecendo às editoras estrangeiras.

Eu não poderia deixar de destacar ainda a gentileza do vice cônsul brasileiro em Frankfurt, o sr. Danilo Zimbres, e também a presença do ex-cônsul brasileiro, sr. Renato Prado Guimarães.

Isso tudo e muito mais vocês vão ficar sabendo no link que coloco abaixo. Mas ninguém vai falar com o mesmo carinho que eu da competentíssima, elegantíssima e gentilíssima Karine Pansa, presidente da CBL. Para falar sobre dela, peço desculpas, pessoal, mas terei que usar esses e outros superlativos: é que ela é mesmo demais!

Karine abriu a apresentação com muito brilho (e um inglês impecável) e foi incansável: atendeu todo mundo, sempre com aquele lindo sorriso que a gente conhece iluminando o rosto.

Como sempre, por lá também podia ser encontrado o meu filho Diego, presidente da ABDL, diretor da CBL e CEO do Grupo Escala, que inclui a Larousse do Brasil, que eu, naturalmente, enchi de beijos orgulhosos.

Desta vez também aconteceu algo inédito: fui entrevistada por uma jornalista alemã. Ela já publicou uma frase que eu disse no jornal Deutsche Welle, no meio de uma matéria muito boa sobre o primeiro dia do evento, que você pode conferir, em português, no link:

www.dw-world.de/dw/article/0,,15457264,00.html

 

 



Escrito por Queipa às 10h15
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Mudanças

Oi, pessoal!

Faz tempo que não escrevo aqui... Peço desculpas. E aviso que meu blog mudou de endereço: agora vc encontra tudo junto na minha homepage: blog, livros, carreira, novidades, eventos, fotos, enfim, tudo que eu faço. O endereço é: www.regina-drummond.de

Encontro vocês lá! Beijos!



Escrito por Queipa às 07h48
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Revista Superpedido, Edição 33

Estou escrevendo para o Papo de Autor, da revista Superpedido. Na edição 33, do mês de novembro, vc pode ler o artigo abaixo:

Uma escritora na Oktoberfest de Munique

 

Regina Drummond

 

É Oktoberfest em Munique. Mas não é qualquer uma!

Explico: a “Festa da Cerveja” que é conhecida como “Festa de Outubro”, e acontece em setembro (por causa do tempo, não tão frio, pelo menos, teoricamente), nasceu em Munique. Na primeira, em 1810, foi instituída uma corrida de cavalos para comemorar o casamento do príncipe herdeiro, mais tarde rei Ludwig I da Baviera, com a princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen.

A festa, para a qual estavam convidados todos os moradores da cidade, aconteceu num parque longe do centro, batizado Theresienwiese, em homenagem à noiva. O enorme sucesso fez com que fosse marcada outra festa para outubro do ano seguinte, e assim começou a tradição. Ainda hoje, é nesse mesmo local que ela acontece.

Atualmente, existem Oktoberfest até na China. No Brasil, a de Blumenau, em Santa Catarina, é a mais famosa, mas elas são várias. Nenhuma delas, porém, é visitada por 6 milhões de pessoas, que bebem seis milhões de litros de cerveja – só a original.

Era nisso que eu pensava enquanto me dirigia à estação de metrô. Eu usava o meu lindo traje típico da Baviera: short e colete de couro, com todos os complementos que tinha direito, mais um casaco por cima. O sol brilhava, mas a volta seria à noite, portanto, estaria frio. Tinha combinado de encontrar as amigas na entrada principal.

Mesmo no curto trajeto, eu levara o livro que estava lendo e o abri assim que me sentei.

De repente, um senhor à minha frente, também vestido à moda bávara, interrompeu a minha concentração com a pergunta:

- Desculpe-me incomodar, mas o que você está lendo com tanto prazer?

Mostrei a capa do livro e o outro homem que estava ao lado dele exclamou:

- Goethe!

Os dois estenderam a mão para pegar o livro.

- Posso?

Entreguei.

Eles abriram, viraram, leram o que estava escrito em alemão, olharam um para o outro. Não queriam acreditar. Perguntaram de onde eu era, confirmaram se a outra língua da edição bilingue era português.

- Uma brasileira lendo Goethe no metrô!

Comentei como apreciava o poeta, como “Fausto” era fantástico e nos despedimos porque era hora de descer. Para eles também, estávamos indo pro mesmo lugar.

Tudo aconteceu como era de se esperar: encontrei as minhas amigas e passeamos, assim como as milhares de pessoas do mundo inteiro, entre as barracas que vendiam coisas gostosas como o típico coração de pão de mel, as avelãs açucaradas, doces e chocolates variados no meio de salsichas com ou sem pão, mas sempre com bastante mostarda, e batatas e frangos e sanduíches, enfim, tudo que é costume encontrar por lá, regado a muita cerveja.

Os brinquedos do parque de diversões, sempre com fila de espera, piscavam as luzes, agitando o ar com sua música dançante e as promessas de muitas emoções nos loopings, paradas no ar, rodadas, sacudidelas e esfregões no estômago para os mais ousados e carrosséis, carrinhos e cavalinhos para as crianças menores.

Depois, nos dirigimos para o local onde tínhamos reservado uma mesa.

Cada marca de cerveja monta a sua tenda, na qual cabem de 8 a 12 mil pessoas, e a enfeita o melhor que pode, quer dizer, cada uma é mais linda do que a outra.

Entramos. A banda tocava a todo vapor e as pessoas se sacudiam ainda mais animadamente, cantando o refrão das músicas famosas, misturadas às tradicionais. A maioria dos homens trajava shorts de couro e as mulheres, vestido comprido com avental, o gordinho dos seios à mostra, como tem de ser, já que era assim no século 18 (e a maioria das cervejarias data dessa época; para quem quiser conferir, sugiro as ilustrações dos livros dos Irmãos Grimm).

Na nossa mesa... Surpresa!

Mas antes preciso explicar que a “nossa” mesa não é algo assim tão particular como o pronome sugere. Ela abriga mais oito pessoas, daquelas que a gente nunca viu mais gorda na vida, mas com quem, provavelmente, vai cantar e dançar até cansar. E, se apertar bem apertadinho (porque caber dez pessoas ali já é apertado), ainda entram mais uma de cada de lado do banco.

Se você já adivinhou, eu confirmo: ali estavam... os dois senhores do metrô, meus mais novos amigos.

Sentei-me ao lado deles, que abriram espaço pra mim, na maior cortesia.

E não deu outra!

No meio daquela música barulhenta e de toda aquela alegria mais pra carnaval que pra poesia, nós três discutíamos sobre a imortalidade e o conhecimento, citando nosso amado poeta e a irreverência de Mefistófeles.

- De tudo de maravilhoso que tem no “Fausto” – eu disse - o pedaço que mais gosto é quando Mefistófeles fica bravo e diz: “Com todos os diabos, e as pragas infernais, mais pragas rogaria, se soubesse mais!” Mas isso é uma tradução maravilhosa do brasileiro: na verdade, o que o demônio diz é mais simples – citei em alemão, traduzi pra que eles comparassem. Eles ficaram muito surpresos. E cada um recitou o pedaço que mais apreciava – sempre Mefistófeles, é claro, que é o mais divertido.

Contei do meu livro novo, lançamento da FTD, no Brasil: “Marcelo descobre a Alemanha” – e Goethe, que não consta do título, mas é o melhor do livro.

- Será que você não poderia traduzir pra gente? – pediu um deles. – Eu adoraria ler este livro!

Ai, ai, ai... Eu ri, por dentro. Seria maravilhoso não apenas se eu pudesse, tivesse tempo, etc e tal, mas se o meu conhecimento da língua alemã alcançasse essas esferas...

Às 23 horas, quando a banda se despediu e nossa tenda fechou, comentei com as amigas:

- Esta foi a melhor Oktoberfest que eu já fui na minha vida!

E olha que vou mais de uma vez, todos os anos, há mais de dez!

 



Escrito por Queipa às 06h28
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Convite do lançamento



Escrito por Queipa às 06h20
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